Depois de meses dedicada aos cheesecakes solidários (como alguns chegaram a chamar), fiquei pensando em quais seriam bons presentes natalinos que, além de encantarem a quem os recebe, também poderiam fazer seu papel social. Foi aí que hoje, ao entrar no Blog da ONG Banco de Alimentos, descubro este incrível kit preparado pela Vinea em colaboração do a estilista Adriana Barra. A série é numerada e traz nos seus rótulos composições feitas ao estilo da roupas da estilista, comprando os 3 vinhos você colabora com a ONG, ajudando na alimentação de uma pessoa carente por 1 ano.
Minha gente, hoje eu acordei no maior dos maus humores, querendo me afundar no meu sofá e ficar por ali, só sentindo cheiro de bolo prestes a sair do forno. Mas fato é que quando me dei conta que hoje era o dia de apagar as velinhas do centésimo cheesecake, tudo ficou mais apetitoso. Fui para a cozinha, preparei aqueles que serão o motivo da festança, e daqui a pouco preparo as coberturas que darão o toque final neste fim do projeto e no começo de tudo.
Os 100 cheesecakes passaram voando, e deixaram em mim a certeza de que eu gosto de ver ingredientes virarem grandes bolos, de sentir o calor do forno e de ver gente comendo para ficar alegre ou para tentar apagar alguma tristeza.
Hoje vamos celebrar! Comendo o centésimo, relembrando os 99 que passaram e pensando no futuro!
Obrigada a todos!
NY é a cidade dos negócios de nicho, é a cidade das empresas independentes, dos designers com pequenas lojas e dos caminhões de comida. Quando você leu as palavras “caminhão” e “comida”, pensou nos quiosques ambulantes de comida turca, kebabes e hot dogs? Tire esta ideia da cabeça e pense em pequenos caminhões, lindissimamente decorados, limpíssimos e com uma oferta de comida de dar inveja a muitos restaurantes “estacionários”. Os food trucks dos EUA são como os laptops, móveis, leves, podem ser levados para onde o dono quiser e, neste caso, onde tiver alguém com fome ou vontade de comer.
Os food trucks são uma incrível solução para pequenos empreendedores e gourmets de plantão, que não querem ou não podem investir em um negócio fixo, com altos alugueis e custos mensais. Aqui no Brasil, mais especificamente em São Paulo, a venda de alimentos nas ruas é proibido. Cachorro quente, pipoca, cocada, pamonha, milho e yakissoba, tudo proibido. A princípio dizem que é por uma questão de higiene e saúde, mas acho que a questão envolve outras polêmicas como “como cobramos impostos desses negócios” e “como controlamos onde eles tão e para onde eles vão”.
Uma pena, eu mesma trocaria nesse instante meu pequeno Palio por um Dobló ou uma Kombi e sairia por aí levando cheesecake e alegria para esta São Paulo de trânsito parado.
Em NY tive a oportunidade de experimentar algumas delícias desses caminhões e conversar com o dono de um deles, um animado e entusiasta ex-designer, ex-publicitário, ex-corporate life como ele mesmo disse. Grant Di Mille, cuja sócia no caminhão é sua mulher, me contou um pouco de como funciona o negócio dos food trucks enquanto eu comia um fresco e denso brownie feito ali mesmo. Eu tinha muita curiosidade sobre como eles escolhiam o lugar e qual era a permissão que eles tinham para ficar ali e ele me disse que o lugar era a parte mais difícil da história, e quem criava problemas eram os outros vendedores de rua (os tradicionais street vendors) enquanto os guardas de trânsito fingiam nem ver o que estava se passando.
Di Mille falou de seu twitter e dos seguidores que tinha, me deu ideias de onde comer bons cheesecakes (o que fica para um próximo post) e me deixou feliz por ter errado a direção do metrô e caminhado algumas quadras aparentemente em vão.
Ah, sim, e a história toda me fez lembrar do filme documentário Lemonade, do qual muito já se falou, especialmente nas rodinhas de publicitários (ex ou atuais), que conta sobre a vida pós agencia de muitos e muitos profissionais da área que tiveram que encontrar novos rumos após a crise… ou durante ela.
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O caminhão do Di Mille é o Street Sweets e o site, com toda a história e o menu você vê clicando aqui
Buscando inspirações por aí, encontrei alguém que falava “Life is too short. Eat the dessert first”. A vida é curta sim, mas um bom prato de comida salgada antes de uma deliciosa sobremesa me deixa muito mais feliz e completa. Por algum tempo na minha vida, substituí qualquer refeição por um grande e delicioso sorvete, com uma boa dose de cobertura e farofa doce em cima; mas hoje, sempre que penso em um doce me vem logo a ideia de comer algo salgado antes. Tá certo que em alguns momentos, só o doce resolve, e aí não há como negar, que um bom bolo de chocolate, alguma coisa com cobertura, certa crocância e muita doçura, ajuda a vida parecer mais longa e profundamente feliz! Então, para este domingo, jogue-se na sobremesa e prepare-se para a semana…
Nos Estados Unidos é assim: enquanto não houver Thanksgiving, não se falará de Natal. Então, dá-lhe Peru, decoração com folhas outonais, e todas as mais variadas receitas com abóbora no meio.
No meio dessa preparação toda, os supermercados e delis fazem suas degustações (ontem provamos um prato completo à la Thanksgiving com Peru “orgânico” no Whole Foods Market) e as confeitarias recebem suas encomendas para as sobremesas que adoçarão o dia. Uma das opções, entre as tantas tradições, é obviamente a matéria da minha busca, um bom e belo cheesecake de abóbora.
Ontem, no café do Moma com suas mesas comunitárias, longas filas, e deliciosos pratos, não resisti ao Spiced Pumpkin Cheesecake, um tanto doce para o meu gosto mas com um toque muito especial das sementes de abóbora caramelizadas.
Na quarta-feira, me esbaldei com um perfeito Pumpkin Cheesecake do Two Red Hens, um lugarzinho do upper east side que descobri em algum fórum de discussão sobre a importantíssima matéria “qual o melhor cheesecake de Nova York”
Comi o cheesecake tomando um enlouquecido chocolate quentem com marshmallows, e fiquei pensando o quanto o doce ficaria perfeito com algum vinho de sobremesa…
A lista de sobremesas tradicionais para a data inclui
Pumpkin pie,
cranberry and blueberry mix pie,
pecan tart with bourbon whipped cream,
apple pie e
tapioca pudding.
Se nós temos bolo de fubá e milho, os americanos têm um cheesecake de caixinha. Mas a coisa engraçada é que para prepara-lo é preciso adicionar tanta coisa, que não vejo muita diferença em fazer esse e fazer um cheesecake do zero.
Quando voltar para casa vou fazer e conto como ficou.
Por enquanto, a imagem da caixinha…


Depois que me aproximei da ONG Banco de Alimentos, fico sempre encucada em mandar uma parte de um ingrediente pro lixo. No cheesecake, acontecem em geral dois disperdícios: o de claras, já que a receita leva sempre mais gema do que clara, e o de limões, dos quais são usados apenas raspas da casca. Fiquei matutanto o que poderia ser feito e chego à solução de que as claras devem virar um bom merengue e o limão pode ser aproveitado no preparo de coberturas com frutas ou até do próprio Lemon Curd.
Ontem, então, resolvi fazer tudo ao mesmo tempo agora e aproveitar tudo o que o ovo tem pra dar. Eu queria cobrir um cheesecake com merengue (que depois levou raspas de marzipan, amoras e lascas de amendoas em cima) e fiquei com as gemas na mão, pedindo para virarem algo. Foi aí que com quatro ovos, uma certa quantidade de açúcar e um pouco de suco de limão tinha em poucos minutos um lindo e brilhante merengue e um delicioso lemon curd (que ainda leva manteiga e pode ser armazenado por alguns dias na geladeira).
Matei dois coelhos com uma cajadada só, não disperdicei nada e ainda fiquei feliz da vida.
Ainda sobre as gemas, fiquei me questionando sobre o uso de gemas pasteurizadas, achei que era uma boa ideia (depois de quebrar com o preconceito) até que eu descobri que após aberta elas duram apenas 24 horas… haja cheesecake e lemon curd pra fazer! Por enquanto prefiro driblar deste jeito, usando ovos que vêm na sua embalagem original mesmo!
Ah! O cheesecake que recebeu o merengue foi este aqui

Sabe, eu não sou maníaca no quesito “comer cheesecake”, mas estou certamente ficando doidona no quesito “fazer cheesecake”. Os que pensavam que eu ia me cansar do tema, tirem já seu cavalinho da chuva! Os que apostavam que eu ia engordar, retirem já suas apostas e virem seus olhos gordos pra lá. Aqui anda tudo na mais santa paz, não fosse a mais irrecusável das propostas que a the most crazy mother ever me fez esta semana: “que tal um pulinho em NY? Vamos, vamos, vamos?”
Eu juro que quase disse que não. Estou tão atabalhoada e tão atrapalhada que quis fortemente recusar o convite, até que lembrei de algumas coisas bem práticas e (ai!) deliciosas: 1) tenho que aproveitar o pique da minha mãe, né? Ela reclama que eu a faço andar, mas no fim ela dá um pau em mim no quesito “e o que mais vamos fazer?”; 2) ai, Nova Iorque é sempre uma delícia, apesar de sempre me deixar super atordoada por seu volume de coisas a serem vistas concentrado em tão poucas quadras; 3) quer lugar melhor para pesquisar cheesecake, comer cheesecake, comprar livro de cheesecake e, o que eu estou mais adorando, comprar forma pra cheesecake? (é, aqui no Brasil as formas de fundo removível são uma verdadeira e magnânima porcaria)
Minha relação com Nova Iorque é estranha: eu tinha passagem (eu e o roger tínhamos), ingresso pra show, reserva de hotel e tudo mais para passarmos o aniversário dele, no fim de setembro de 2001, lá. Pois é, 09/01. No dia 10/09/01 eu pedi para meu chefe na época para tirar aqueles dez dias de farra. No dia seguinte, 11/09/01, lá estava ele batendo no meu ombro e me lembrando que o mundo havia mudado, e que não seria a minha vez de ir. Ficamos enrolando seis anos para enfim tomarmos coragem e vontade de irmos de novo. Eu tinha um certo preconceito, porque a Europa sempre me encantou e porque é normal ter um certo preconceito dos Estados Unidos, mas Nova Iorque me conquistou quadra a quadra e me deixa sempre com gosto de quero mais.
O legal de lá é que existem muitas cidades dentro de uma só. Você pode visitar a cidade das compras das grifes e das lojas de departamento. Você pode visitar a cidade das pechinchas e das descobertas. Pode ainda visitar a cidade dos museus, a cidade das delícias gastronômicas (da mais alta e da mais baixa gastronomia), a cidade do luxo e do underground. Você pode montar a sua própria Nova Iorque do jeitinho que quiser, mais saidinha, mais shopaholic, mais faminta, mais culta, ou misturar tudo e fazer um bom samba do criolo doido com todos os sotaque (e com predominância do chinês e do espanhol).
Enfim, é uma cidade tão cheia das suas próprias cidades que nunca me deixa cansada ou sem ideias do que fazer.
Assim, já estou com a programação pronta, e malas nada prontas (ai, me preparar para o frio neste calor é quase um contrasenso), e uma lista cheia de novos lugares para provar novos e mais cheesecakes.
Escrevo e trago novidades!!
Hoje fiz o último depósito para a ONG no valor de R$1.300,00, completando os R$ 7.000,00 totais angariados com o projeto. É momento de fazer um balanço de tudo que aconteceu, de agradecer a todos, todos, todos os envolvidos e, claro, de convidar para mais uma etapa do projeto.
Eu poderia aqui fazer um agradecimento looongo, na linha daqueles do Oscar quando alguém tem que dar um basta no convidado, mas talvez fosse impossível lembrar e agradecer a todo mundo ao mesmo tempo, no mesmo post.
Acho que já agradeci a ONG Banco de Alimentos e todas as envolvidas por acreditarem no projeto (na foto abaixo, Bel, eu, Camila, Luiza)

Agradeci a Sharon pelas fotos lindas que fizeram todos ficar com água na boca
A Fe pela linda direção de arte

Acho que não agradeci publicamente a Fran pela ajuda na divulgação do projeto para a imprensa
Agradeci aos poucos a todos aqueles que divulgaram de alguma forma e que apoiaram o projeto escrevendo e passando adiante
Também acho que não agradeci aqui a Mica, querida amiga e artista que tratou delicadamente de pintar e decalcar os pratos especiais que fizemos para o evento

Agradeci a minha irmã Tainá pelo empurrãozinho inicial e pelas fotos de registro (nas situações mais absurdas como: fazendo mini cheesecakes, usando a máquina de lavar como apoio e falando no celular)
Ao Roger, que já agradeci várias vezes, por ter me inspirado a fazer o primeiro cheesecake e a seguir fazendo (além de me ajudar a vigiar cheesecakes no forno e a fazer a entrega de alguns deles)
A Bia, amiga e escudeira, que me acompanhou nas entregas e me aguentou nas esperas por cheesecakes temperamentais
A Giovanna Tucci do Paladar, por ter acreditado no cheesecake e transformado ele em tema de um caderno inteiro
A minha mãe, por me emprestar a cozinha quando foi preciso e por me salvar dos apuros momentâneos
Ao Léo por acreditar em mim e na possibilidade de expansão do projeto
Aos amigos que compraram, degustaram, dividiram
Aos que se aproximaram, pediram, experimentaram, confiaram na ideia e fizeram dela um meio de ajudar também
É para todos vocês que eu faço esta dedicatória e o convite abaixo!
E agradeço com carinho sem fim o apoio que me deram!









