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Eu nunca fui de grandes tradições, mas sempre as admirei com grande interesse e curiosidade. Não fui batizada, mas adorava circular vestida de anjo nas procissões do interior. Minha família curte o Natal mas à sua maneira muito particular, e cada aniversário é celebrado com um bolo logo no café da manhã.
A tradições existem para serem respeitadas, mas também para serem recriadas e revividas à maneira particular de cada um. E é isso que me encanta na nova safra de casamentos que tenho acompanhado. São pessoas que se casam por amor, e não por nenhuma pressão ou convenção social. São casais que inventam a sua própria forma de celebrar, e trazem seus gostos e paixões para compartilhar com família, padrinhos e convidados.
No evento NewWed que acontece neste próximo sábado, terei o prazer de apresentar uma nova ideia para esta celebração: no lugar do bolo tradicional, um bolo cheesecake, com dois ou três andares, feito com ingredientes nobres e apaixonantes como chocolate belga, água de rosas, pistache e baunilha, e enfeitado com flores e detalhes de glacê.
Venha conhecer e experimentar mini cheesecakes, que podem ser servidos como sobremesa ou junto com o café!
Espero por você lá!
06 de março de 2010, sábado. Das 14h às 22h
Mais informações aqui e aqui twitter.com/newwed

Hoje eu gostaria que minha vó Dorotéa estivesse aqui para curtirmos esse dia chuvoso, para ela me contar suas histórias e para que juntas procurássemos por outras. Hoje, como ela mesma costumava dizer, estou sentindo uma saudade física dela.
Não sei se é o dia que me deixa meio/muito melancólica ou é a sensação de estar voltando às origens que me deixa assim, mas fato é que ao ler a matéria da Nigella para o New York Time (que publiquei logo aqui abaixo) comecei a fazer várias associações que inevitavelmente me levaram à conclusão de que algum dia minha vó, alemã e judia, deve ter feito ou comido um cheesecake – the real one, o original, a origem do que hoje conhecemos como o cheesecake quintessencial que é o NY Cheesecake.
Eu gostaria de ter um caderno de receitas dela na mão, talvez um que tenha sobrevivido a tantas histórias e tantas mudanças de vida, que me levasse a descobrir uma receita de cheesecake que secretamente ela guardava como uma de suas preferidas. Gostaria de ter o prazer de descobrir a tal receita de família e de repente ter a chance de voltar no tempo e conhecer um pouco mais sobre a minha vó e sobre sua história de vida.
Te extraño mi abuela!!
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Adendo
Lendo um pouco sobre a tradição do cheesecake na cultura judaica, encontrei um artigo que diz que para muitos judeus ao redor do mundo, Shavuot* é o feriado judaico ideal para se comer cheesecake. É especialmente o feriado onde se preparam pratos com laticínios.
Why do Jews eat Cheesecake on Shavuot?
- On Shavuot the Jews received the Torah at Mount Sinai. In order to receive the Torah, they purified themselves and wore white clothes. Through eating milky foods, Jews are signifying the level of spirituality which the Jewish People were to reach in order to receive the Torah.
- Before receiving the Torah, Jews did not keep meat and milk separate. When they received the Torah, they were then obligated to use different cooking pots for meat and milk. Because they did not yet have the pots, the just ate milky foods until such time as they had the correct utensils for meat and milk
- In Psalms 68:16-17, Mount Sinai is called by several names. One of them, mountain of peaks, Bar Gavnunim in Hebrew, shares the same root as gevinah, the word for cheese.
- Some historians speculate that after receiving the Ten Commandments, the ancient Israelites had been gone from their campsite for so long that their milk had soured and became cheese. It’s possible that they fasted while receiving the Ten Commandments and reached for milk upon returning.
- The custom of eating dairy on Shavuot is also derived from the biblical verse: Minhah hadashah la-Adoshem be-Shavuotekhem (your Feast of Weeks, when you bring an offering of new grain to the Lord; Numbers 28.26). The initials of the four Hebrew words spell me-halav (from milk), implying that foods made from milk are acceptable on Shavuot.
- Jews are fond of playing with deeper connections between the numerical value of a word and other words or meanings with the same or double or half the numerical value to ‘prove’ various linkages and allude to other meanings. This is called gematria. The numerical equivalent of the word milk in Hebrew, chalav, is forty. The same number of days that Moses was up on Mount Sinai.
* Shavuot é o segundo feriado dos três feriados de peregrinação. Este feriado também é conhecido pelos nomes de “Festa das Primícias” (Chag HaBikurim) e Festa do “Recebimento da Torá” (Matan Torá). O feriado é de um dia em Israel (dia 6 do mês de Nissan) e de dois dias na Diáspora (6-7 do mês de Nissan).




Nesta última sexta-feira tive uma manhã banhada por café. No ateliê, preparamos a produção da uma foto para a revista Espresso com o meu Coffee Flavoured Brownie Cheesecake, o drink Ouro de Tolo da minha querida Camila Cardillo, telhas de laranja com café e um lindo drink de verão do barman do Kosushi. A responsável pela produção foi a Patrícia Malta de Alencar, editora da revista, e a ideia era criar combinações interessantes entre doces e drinks que não necessariamente fossem de café mas que não deixassem de lembra-lo com ingrediente ou tê-lo como contraponto.
Fiquei muito feliz com tudo, e no final provamos os drinks, as bebidas (um incível licor de cereja amarela e o licor de café da Illy) e, obviamente, o cheesecake – que eu sou suspeita para falar, mas estava incrível.
O ano recomeçou e está tudo de pernas pro ar por aqui. O forno passou por uma linda faxina, a geladeira está em ordem, e eu estou preparando um novo canto para preparar os cheesecakes. Não que a cozinha não comporte mais, mas a casa não comporta mais. Foi um tal de cream cheese para todos os lados nestes últimos meses que eu nem te conto, quase perdi a empregada e o marido.
Enquanto não faço muitos cheesecakes, tenho boas ideias para novas experiências e experimento outros doces por aí. Para mim uma das grandes delícias são também duas grandes surpresas para meu paladar: o figo com cookies do Spot, que traz figos e um cookie banhados com creme inglês; e o pain perdu do ICI, que é uma sofisticadíssima rabanada (ou a rabanada dos franceses), agora feita com brioche do Le Vin e como sempre acompanhada com um purê de pera fresca.

A primeira delas é uma surpresa simplesmente porque não gosto de figo. Não sei dizer se não gosto do gosto em si ou da textura, mas não é uma fruta que entraria na minha lista (o que aconteceria juntamente com o caqui). Fato é que esta combinação de figo, cookie e creme inglês é de comer literalmente de joelhos, e ainda pedir mais.

A segunda foi eleita como a melhor sobremesa da cidade em 2009 pelo Paladar. É, é, como eu poderia dizer… de deixar alguém sem palavras. Tem a crocância do pão com açúcar, a maciez do miolo, quebrada pela elegância da pera e pela suavidade do creme inglês.
Como também alguns cheesecakes, incluindo o do PJ Clarks, eleito o melhor da cidade. Desafio vocês a comerem o meu…
